O que a Jornada de Alex Supertramp tem a ver com o maior desastre ambiental do Brasil (Brumadinho)? E o que podemos aprender com tudo isso?

Estava eu às voltas da minha mente a planejar um texto bacana sobre filmes policiais, quando fui surpreendido com o desastre de Brumadinho, Minas Gerais. E refletindo um tanto e outro, resolvi deixar pra depois os romances policiais e falar sobre o filme “Na Natureza Selvagem”, de Sean Penn.

Dois motivos me levaram a este ótimo filme: o primeiro, e muito óbvio, foi o tema natureza – se vamos refletir sobre Brumadinho, é coerente ver um filme de contemplação à natureza; em segundo lugar, um pouco menos óbvio é o tema que me tocou: Carpe Diem. Colha o dia!

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Alex Supertramp na natureza selvagem

O longa é baseado no livro homônimo de 1996 de Jon Krakauer, que por sua vez é baseado na história real de um jovem de classe média que abandona sua família, vida material e amigos para viver “na natureza selvagem”. Lê-se também uma romantização adolescente da quebra das regras sociais para viver a vida ao seu gosto, aventurando-se desde o México, até o deserto do Alaska.

Emile Hirsch encarna Christopher McCandless, o nosso jovem aventureiro, que abandona tudo, inclusive ele mesmo – ao sair de casa, muda seu nome para Alex Supertramp -, para viver sua grande aventura. Toda sua trajetória é narrada por Carine McCandless (Jena Malone), irmã de Alex, ao mesmo tempo que há flashbacks da então vida de Chris.

Com essa mistura passado X presente, observamos o comportamento de seus pais, suas mentiras, paradoxos e hipocrisias, nos fazendo refletir sobre os motivos que fizeram Chris virar Alex, e toda sua quebra de perspectivas que implica na narrativa como um todo – tanto do filme, quanto da vida da família McCandless.

E é com essa morte simbólica de Chris que Sean Penn nos convida a olharmos para fora e para dentro. O primeiro olhar, a natureza e todo seu deslumbramento. O segundo e mais profundo é o olhar para nós mesmos e de como nós somos importantes para nós. Alex, quando rodeado de coisas e pessoas, sentia um vazio irritante. Foi, para preencher-se, preciso largar tudo, ir para os lugares mais remotos da América, e sentir-se só para completar-se.

Carpre Diem e Brumadinho

Para fecharmos, é lamentável o que aconteceu em Brumadinho. E a mensagem que o filme de Sean Penn nos dá é: devemos sim colher o dia, mas devemos lutar por aquilo que é nosso. Devemos buscar nosso lugar ao mundo sem exageros – sem o exagerado materialismo americano, e sem morrermos no deserto do Alaska. Só podemos colher o dia se o plantarmos. Só teremos Brumadinho, Mariana, dentre tantas outras preciosidades nossas, se corrermos atrás – alô autoridades, Governo Federal! Nenhuma empresa vale mais que os nossos bosques que, de um modo ou outro, ainda têm mais vida!

Fonte: Uol