O Escolhido (2019), é a mais nova produção nacional da Netflix; essa série sobrenatural, com traços de suspense. A série conta a história de três médicos que viajam para o Pantanal, a fim de vacinar um vilarejo afastado contra uma mutação do vírus zika. 

O único problema, é que esse pacato lugar é controlado por um homem que se denomina “O Escolhido”; e ele tem o poder de curar as pessoas que moram ali.

A direção, que ficou nas mãos de Michel Tikhomiroff, é muito bem trabalhada e ajuda o espectador a ter noção de espaço. Ele ainda trabalha bem os dois cenários principais, que são o acampamento e Aguazul.

Os trechos aéreos, por mais que não sejam muitos, também ajudam a situar a audiência sobre como funciona o Pantanal. 

Crítica | O Escolhido - Suspense, magia e ciência se unem em nova série da Netflix
Guto Szuster, Paloma Bernardi e Pedro Caetano.

Os takes que envolvem ação, em especial as com movimentos frenéticos e lutas corpo a corpo são muito bem feitos e não deixam ninguém perdido. Existem momentos de real tensão, que são bem emocionantes de acompanhar.

A direção de arte e a fotografia estão fenomenais; abusando dos recursos naturais e do próprio folclore brasileiro para ambientar o programa; até mesmo a paleta de cores, que varia do verde ao azul, foi bem escolhida.

O roteiro é um ponto complicado de avaliar, já que ele oscila durante a temporada. O maior problema é que ele não estabelece nenhum personagem; ele salpica informações rasas e confia que o espectador vá entender o que elas significam – o que funcionaria, se a série não tivesse diálogos tão artificiais.

As falas são construídas de forma mecânica e a falta de interação prévia dos personagens não ajuda a montar o clima necessário – principalmente quando falamos do trio de protagonistas. É difícil entender a relação dos três e a audiência precisa criar, na própria cabeça, uma conexão entre eles.

Isso não acontece apenas com o trio principal, mas até o núcleo de Aguazul sofre com a falta de construção; sabemos que aqueles personagens mantém um tipo de ordem, e o único jeito de chocar quem assiste quando essa ordem é questionada, (com a chegada dos médicos), é fazendo com que eles entendam como funcionava antes, e isso nunca fica claro.

Crítica | O Escolhido - Onde magia, suspense e ciência se encontram.
Renan Tenca.

Outra problemática surge dessa fonte, enquanto os primeiros episódios são mornos – e não gastam esse tempo montando relações sólidas, os últimos dois são extremamente corridos e personagens importantes tem sua personalidade revelada só no final; sendo que faria muito mais sentido se compreendêssemos eles aos poucos.

As atuações são prejudicadas pelas falas mecânicas, mas o elenco se esforça para fazer funcionar. Paloa Bernardi (Lucia) e Renan Tenca (O Escolhido) tem uma ótima química em tela, e entregam as melhores cenas da série. 

Mariano Mattos (Matheus), Pedro Caetano (Damião) e Gutto Szuster (Enzo), também ficam na média e não decepcionam. 

O Escolhido, apesar de possuir falhas claras no seu roteiro, não é uma série ruim; possui um bom plot twist e mesmo com os problemas, consegue engajar o espectador.