Sejam bem-vindos a mais uma edição de nossas dicas semanais. Todas as terças você confere aqui no site uma seleção de filmes e seriados escolhidos a dedo para que você não precise perder uma temporada da sua vida apenas escolhendo ao que assistir.

Na semana passa listamos três filmes incríveis escondidos no catálogo da Netflix. Hoje, vamos conferir cinco curtas essenciais para quem quer fazer cinema. Não no sentido acadêmico, mas sim no sentido prático. Essas sugestões são para quem, como diria Glauber Rocha, está com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Embora cinco títulos não sejam capazes de cobrir mais de um século de filmes, essa seleção com certeza certeza será útil. Aqui, cineastas de primeira viagem vão encontrar ideias, soluções e técnicas essenciais para seus primeiros trabalhos.

Sem mais delongas, vamos aos curtas.

Viagem à Lua

Comecemos pelo começo. Dirigido por Georges Méliès, em 1902, o curta conta a história de bravos cientistas que viajam à Lua e lá encontram uma raça alienígena hostil, que os captura. Eles iniciam, então, uma missão de retorno à Terra.

Por que é essencial: Georges Méliès foi um revolucionário. Ilusionista, via no cinema a possibilidade de inovar e expandir os horizontes de sua arte. E assim o fez, criando diversos efeitos especiais e técnicas nunca antes vistas, algo que somente um artista apaixonado seria capaz de fazer. Dessa forma, Viagem à Lua representa um avanço gigantesco, que mudou definitivamente a linguagem cinematográfica.

Um Cão Andaluz

Esse curta não tem uma história definida, mas ainda assim é um dos mais memoráveis e vistos da história. Presenciamos, durante 16 minutos, a aliança da loucura de Salvador Dalí com a precisa direção de Luis Buñuel.

Por que é essencial: A mistura do real com o onírico que vemos na obra leva a um exercício de imaginação que pode ser muito útil a quem quer pensar fora da caixa e criar algo fora do comum. Além disso, o trabalho de Buñuel inspirou diversos outros cineastas, como Woody Allen e Gaspar Noe.

120 Seconds To Get Elected

Um dos primeiros trabalhos do aclamado diretor Denis Villeneuve, o título pode ser traduzido como “120 Segundos Para Ser Eleito”. Nele, vemos um político domar seu eleitorado através de frases genéricas e ideias populistas.

Por que é essencial: Embora seja o curta mais simples da lista, com apenas 2 minutos de duração e um único ator, o título esbanja personalidade e evidencia que orçamento não é empecilho quando se tem uma boa ideia. Aqui, cortes inteligentes e um monólogo bem escrito são suficientes para tecer uma crítica clara e construir uma obra que, dentro de sua simplicidade, está completa. Esse é o primeiro resultado que devemos buscar quando começamos uma carreira cheios de ambições, mas sem nenhum dinheiro.

Thunder

Takashi Ito é um cineasta japonês com uma filmografia respeitável, mas não muito conhecida. Ele dirigiu diversos curtas experimentais e entre eles, Thunder. Aqui o diretor passa longe de contar qualquer história. Ao invés disso, ele testa as possibilidades do audiovisual através de um rosto, um prédio vazio e muitas luzes.

Por que é essencial: Além de ser uma viagem bem diferente, o curta instiga seu espectador a testar novas técnicas e simplesmente deixar a criatividade fluir e tomar conta do seu trabalho. Cortes, sons, padrões de iluminação, movimentos de câmera; tudo é válido quando se está tentando algo novo.

Alive in Joburg

Uma nave alienígena estaciona em cima de Joanesburgo e não consegue retornar ao seu planeta de origem. Logo, a impossibilidade do deslocamento cria um problema social de alienígenas se organizando em guetos pela cidade. Se essa premissa soa familiar, não é por acaso: Alive in Joburg foi dirigido por Neill Blomkamp, que mais tarde dirigiria Distrito 9.

Por que é essencial: Antes de mais nada, o curta faz um comentário social de extrema relevância através de uma abordagem crua e por vezes chocante. Ao mesmo tempo, o diretor usa técnicas de cinema de guerrilha para viabilizar sua ideia. Aqui, a falta de recursos é perfeitamente driblada pela criatividade e determinação de todos os envolvidos na produção. Em conclusão, é um exemplo a ser seguido por todos os aspirantes da sétima arte.

“Se pode ser escrito ou pensado, pode ser filmado” – Stanley Kubrick

Enfim, essas são as dicas que temos pra hoje, lembrando que terça que vem tem mais. Até lá!