Stephen King já é conhecido por todos e seria uma loucura minha querer apresentá-lo para alguém.

Neste livro, lançado em novembro de 2011 nos EUA e editado em setembro de 2013 aqui no Brasil, Stephen aborda aspectos da cultura pop americana e de como os fatos históricos podem ser absorvidos e resinificados por essa cultura.

Uma das qualidades do autor é o hábito de impregnar os seus personagens com um certo realismo decadente. Na história, o professor universitário está tentando encontrar o melhor modo de viver um divórcio recente quando se depara com a coisa sobrenatural que será tema do livro.

Usando elementos que mesclam ficção cientifica, terror e romance policial. O autor faz uma construção gradativa da personalidade dos personagens e do mundo em que elas vivem.

O livro tem quase 750 páginas (versão Brasileira) e graças a isso é possível acompanhar a narrativa sendo bem desenvolvida. A atmosfera da história conta ainda com o cuidado da pesquisa bem-feita e as cenas se passam em locais ficcionais, porém plausíveis.

É gostoso testemunhar como King ambienta muito bem as suas histórias no interior americano dos anos 60.

Dotado de uma visão privilegiada, King sabe colocar a sua lente de aumento de forma a criar um clima de imersão muito eficaz. Não admira que o autor tenha se transformado em uma mina de ouro para a indústria cinematográfica.

Vamos falar dos pontos negativos.

Eu sou um sortudo e uma exceção. Sortudo por poder acompanhar o livro em dois idiomas e exceção por ter tempo para fazê-lo. Graças a isso, pude observar alguns “erros”, ou melhor, decisões dos tradutores, que não tiveram o mesmo efeito na edição em português. Vamos ao mais aparente:

Longe de querer implicar com os tradutores, que fazem das tripas coração para transportar significados, é preciso mencionar que os diálogos, em alguns casos, não funcionam como deveriam.

Eu não gosto quando a voz dentro da minha cabeça é obrigada a ler diálogos com sotaque, salvo exceções. No caso dos livros do King, parte da potência da narrativa está localizada nas vozes dos personagens e alguns deles, alguns, perdem grande parte do impulso quando comparados com o original.

Vou tentar ser mais claro, alguns personagens tiveram sotaques brasileiros encaixados no que “seria um equivalente” ao sotaque americano. Como leitor, isso me incomoda. Essa prática já apareceu em publicações do H.P. Lovecraft, em livros do Kafka, até em O Morro dos Ventos Uivantes.

Não pretendo levantar bandeiras e apontar o dedo para esse ou aquele tradutor (ou para essa ou aquela editora), pois é uma prática do nosso mercado. Que deveria ser abandonada.

Mesmo assim…

Novembro de 63 é uma história page turner, fará você grudar nela até terminar o livro.

Com cenas chocantes e personagens fortes. Este livro do Stephen King é uma escolha excelente para os órfãos de escritores mais rústicos, daqueles que não sentem pudor em mutilar os seus protagonistas. Vale a leitura.

Se quiser discordar de mim, basta deixar um comentário. Valeu pela leitura.