Com estreia prevista para 25 de Junho de 2021, The Batman, o próximo filme solo do Homem-Morcego, está começando a tomar forma. Com os fortes rumores de que Jonah Hill (Lobo de Wall Street) e Jeffrey Wright (Westworld) estão em negociações com a Warner para se juntarem ao projeto, o longa finalmente parece estar se encaminhando para as filmagens, previstas para o final deste ano ou início de 2020.

Assim, listamos três possíveis inspirações que o diretor Matt Reeves pode utilizar no filme, garantido por ele mesmo que se aprofundará no lado detetive do herói. Alerta de spoilers.

BATMAN: SILÊNCIO

Possivelmente uma das aventuras que mais exigiram da capacidade de raciocínio e investigação do Batman. Publicada entre 2002-2003 e escrita por Jeph Loeb, um vilão intitulado Silêncio começa a chantagear e manipular outros antagonistas do morcego para combatê-lo, deteriorando a sua mente e brincando com seus sentimentos. Diversos vilões aparecem na história, incluindo o Coringa, Arlequina, Crocodilo, Cara de Barro, Ra’s Al Ghul e outros. A intenção de Silêncio é usar cada vilão com um propósito específico, manipulando as ações de Batman até o momento de confrontá-lo pessoalmente.

Um exemplo marcante disso trata-se da batalha contra o Cara de Barro em um cemitério. Antes do Batman chegar lá, o vilão se transforma em Jason Todd, o segundo Robin, morto brutalmente nas mãos do Coringa. Isso perturba Batman, mas não o suficiente para que ele perdesse a razão e achasse que o seu antigo aliado estivesse vivo.

O que mais intriga Bruce Wayne é entender como Silêncio sabe sua verdadeira identidade, conhece seus segredos mais profundos e como conseguiu botar todos os vilões em seu bolso. Além de também não saber a verdadeira face de seu novo inimigo, Batman começa a desconfiar de seus aliados: ao mesmo tempo que começa um romance com a Mulher-Gato, tem dúvidas se ela realmente está do seu lado, atitude que, talvez, seja o ápice da neurose apresentada pelo herói na história.

BATMAN: O LONGO HALLOWEEN

Talvez a aventura mais famosa envolvendo o lado detetive do Batman, O Longo Halloween foi lançado entre 1996-1997. Também escrita por Jeph Loeb, a história se passa no início da cruzada de Bruce Wayne como o Cavaleiro das Trevas. Um vilão misterioso, o Feriado, está assassinando membros das mais importantes famílias mafiosas de Gotham City ligadas aos Falcone. Todos as mortes são causadas em um feriado específico, sendo um por mês.

A história, além de focar nas habilidades investigativas do Batman para resolver o mistério, desenvolve com maestria a relação do herói com o Comissário Gordon e Harvey Dent. Toda a relação de quase “irmandade” que os três estabelecem entre si foi empregada em Cavaleiro das Trevas, segundo filme da trilogia de Christopher Nolan, então dificilmente esse arco será utilizado novamente. Porém, a relação de Batman somente com o Comissário pode ainda render no futuro filme, pelos rumores de que Jeffrey Wright está em negociações para interpretar Gordon, seguindo os passos de Gary Oldman e J.K. Simmons.

Tendo sido bastante aclamada por Matt Reeves, O Longo Halloween também conta com a presença de diversos vilões, como Hera Venenosa, Solomon Grundy, Chapeleiro Maluco e, os mais importantes, Charada e Pinguim. Por que? Ambos os personagens são os mais cotados para que Jonah Hill interprete no longa, caso o ator se junte ao elenco, ainda sem nenhuma revelação de qual seria o antagonista escolhido.

WAYNE DE GOTHAM

A história escolhida agora é uma surpresa. Não se trata de uma HQ, e sim de um livro. Escrito por Tracy Hickman e publicada em 2012, a narrativa faz um grande trabalho em criar uma atmosfera noir que une passado, presente e o futuro de Bruce Wayne, com um mistério a ser resolvido que culmina em um dos mais complexos casos já enfrentados por ele.

O livro apresenta dois focos narrativos: a trajetória de Thomas e Martha Wayne, antes do nascimento de Bruce, e o mistério que envolve o Batman. Logo no começo, Hickman mostra o tom de sua obra: o Comissário Gordon, manipulado por uma vilã chamada Spellbinder, aponta uma arma para Batman. Ele culpa o Cavaleiro das Trevas por ter colocado sua filha, Bárbara, em uma cadeira de rodas, ainda o acusando de tê-la assassinado. Mesmo ao tentar racionalizar com Gordon, a tática não funciona, e o herói é forçado a derrubá-lo. Detalhe que o Comissário ainda atira em sua direção.

Esse trecho já mostra os teores sombrio, de conspiração e investigativo que se apresentam na trama. Cada pista que o protagonista encontra leva a mais uma pergunta, em um momento que começa a duvidar de sua própria razão. Com certeza Wayne de Gotham seria uma excelente adição à trajetória cinematográfica do Batman, pelo menos em sua essência: um drama que une o lado detetive do Cavaleiro das Trevas com as suas características psicológicas, em que o peso do manto pode ter começado a cobrar seu preço.