Na Gotham City de 1981 vive Arthur Fleck, um palhaço de agência que trabalha fazendo anúncios na rua e afins. Arthur vive uma vida modesta com a mãe enquanto é acompanhado de perto por uma agente social devido ao seu histórico como paciente psiquiátrico. A história de Coringa é uma recriação do universo dos quadrinhos, e, apesar de ter fan-service, poderia ser uma narrativa sobre qualquer palhaço, sem precisar se ater a nenhuma referência à obra original. O filme leva muito tempo para construir seus personagens e não é um filme cheio de ação. O tom melancólico perpassa toda a narrativa que pode desagradar quem vai em busca de um típico filme de super-herói.

O Coringa de Joaquim Phoenix desperta muita empatia e é mais tridimensional e humano do que suas representações anteriores. O ator está impecável no papel do protagonista e sua linguagem corporal fala tanto (ou ainda mais!) do que a sua linguagem verbal. Joaquim Phoenix consegue ir da meiguice a assertividade com uma maestria que é construída lentamente porém sem nunca ser dissonante. Detalhes como a risada genial que o ator criou especialmente para o filme e a crítica social subliminar do roteiro fazem o filme ser o que ele é: inesquecível.

Crítica | Coringa
Coringa/Warner Bros. Pictures

Coringa já estreia com muita polêmica devido a sua temática que pode despertar alguma espécie de massacre, como ocorreu em 2012. O filme contém sim cenas fortes de violência, mas essas cenas são pontuais. A violência psicológica que é transmitida através da direção de arte, fotografia e trilha sonora são ainda mais impactantes do que o sangue literalmente. Ou seja, a preocupação é válida mas está um tanto distorcida.

Provavelmente o melhor filme dentro da categoria de super-heróis, Coringa consegue ressuscitar a DC e promete render muitos prêmios ao estúdio. E, apesar de ser um filme muito bem fechado em si mesmo, há bastante espaço para continuações.

Assista ao trailer: