Duas estrelas, essa foi a nota recebida pelo Joker, estrelado por Joaquin Phoenix, segundo a avaliação de Peter Bradshaw, resenhista e crítico do jornal inglês The Guardian, importantíssima publicação.

Peter começa seu artigo apontando para o fato de que o filme Joker é o novo queridinho das premiações, o que representa um aumento na expectativa. Depois, faz um resumo rápido do roteiro (algo que eu não vou fazer, nós já temos um ótimo artigo analisando o filme, você pode ler aqui).

Coringa/Warner Bros. Pictures

Vamos ao que interessa, por qual razão esse crítico não gostou do filme Joker?

Bem, para começar, terei que ser vítima da ad hominem, mas quem conhece as publicações do The Guardian (sobretudo do Peter Bradshaw), nota como ele tende a gostar mais de filmes britânicos, também mostra especial desagrado com filmes que tratem de traços da cultura americana com intensidade, como é a Gotham oitentista de Joker.

Para o crítico, o filme se sustenta muito bem no trabalho de design feito por Mark Friedberg, Peter também não nega a capacidade do Lawrence Sher na cinematografia e ele afirma que Joaquin Phoenix está incrível (para o crítico: “não é o melhor papel do ator, mas é um ótimo papel”).

Quando o filme perde? No final do primeiro ato

Aos olhos de Peter, o filme cai quando a personagem principal passa a “liderar” um levante contra as classes dominantes da sociedade. Não vou entrar em detalhes para não estragar a experiência de quem estiver lendo e for ver o filme. Mas foi aí que o crítico pegou, realmente, no pé.

Em outras palavras, o filme se tornou uma decepção ao abordar elementos políticos importantes na sociedade. Ele ainda cita que analisar esse “desgaste emocional” de um homem isolado é importante, sobretudo em nossa época de bullying, Incels e perfis com discurso de ódio.

Por outro lado, ao levar o filme para algum ponto nos anos 80 e transformar a “revolta online” em um motim físico, o diretor Todd Philips havia se perdido. Fazendo com que o segundo e o terceiro atos ficassem descaracterizados. O crítico chega ao ponto de dizer que o filme acaba no primeiro ato.

Tá, Cinerama, mas para que você fez esse artigo?

Bem, se tecnicamente o filme é bom, se a atuação é perfeita e o diretor foi competente. Então, será mesmo que apenas um reforço político do roteiro é o bastante para estragar a obra? Ou a obra vai além dessa mensagem?

Infelizmente, não dá para levantar essa discussão sem falarmos muito sobre o filme ou entrarmos em detalhes, duas coisas que eu já prometi não fazer. Primeiro: por que nós já temos uma crítica muito bem fundamentada em nosso site; segundo: pois eu seria obrigado a dar spoilers, e isso eu não vou fazer.

Coringa/Warner Bros. Pictures

Aqui fica a dúvida levantada pela publicação do The Guardian

Para você, um filme perde valor se ele sofrer uma politização exacerbada, ou o roteiro é o roteiro e uma história bem escrita vale 5 estrelas, independente da mensagem?

Para Peter Bradshaw, crítico e resenhista do The Guardian, um filme não pode contradizer certas crenças políticas que ele possui, ou esse filme levará (injustamente) duas estrelas.