Dentre as muitas histórias contadas pelo cinema, a exploração do luto de um personagem é um artifício usado de forma recorrente na tentativa de cativar e emocionar a audiência. E é tendo o luto como fio condutor, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (10) o filme O Pintassilgo, distribuído pela Warner Bros, e adaptado do romance vencedor do Pulitzer The Goldfinch, escrito por Donna Tartt.

Dirigido por John Crowley (Brooklyn), o filme segue os passos de Theo (Oakes Fegley/Ansel Elgort), um garoto que perdeu a mãe em um atentado no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Adotado pela senhora Barbour (Nicole Kidman), ele carrega consigo um anel, entregue a ele por um estranho na ocasião do atentado, que o levará até um antiquário sob os cuidados de Hobie (Jeffrey Wright), onde ele conhece Pippa (Aimee Laurence) uma garota que também sobreviveu ao atentado, e que desperta a sua atenção.

Com um estilo clássico em seu primeiro ato, O Pintassilgo introduz o garoto Theo (Oakes Fegley, muito bom) ainda abalado com os acontecimentos recentes, sendo acolhido pela senhora Barbour. Nicole Kidman está perfeita no papel, e empresta sua elegância habitual à personagem, que se mistura com outros elementos sóbrios e requintados, como o figurino e a ambientação.

Crítica | O Pintassilgo
📷 Warner Bros / Divulgação

Um pouco mais adiante, o estilo elegante do início dá lugar a um ar informal e urbano, que nos traz a atriz Sarah Paulson no papel da antagonista perfeita de Nicole Kidman. O filme aliás, transita bastante entre estes estilos, e até que bem, diga-se de passagem. Nesta parte, além de Paulson, o filme ganha o reforço de Luke Wilson e Finn Wolfhard, conhecido por todos como o Mike, da série Stranger Things. Finn está ótimo na pele de Boris, um garoto que fica amigo de Theo, e juntos, eles protagonizam talvez as melhores cenas do filme.

Com um roteiro não linear, O Pintassilgo se alterna entre o passado e o presente na construção de sua trama. Tudo é permeado pelo impacto que a morte da mãe de Theo (Ansel Elgort na fase adulta) causou no personagem, e também pela pintura que dá nome ao filme, e que estava exposta no museu no dia do atentado. Com idas e voltas no tempo e uma profusão de personagens desfilando entre os atos do filme, o que se vê é um esforço em “costurar” a trama de forma satisfatória.

Apesar de seus 150 minutos de duração, o longa não consegue se aprofundar o suficiente em seus personagens, e isso gera uma falta de conexão com o público que prejudica o potencial emocional que o filme poderia ter. Mesmo assim, consegue terminar sem maiores tropeços e nos mostra como tragédias pessoais geram diferentes nuances na personalidade de um ser humano, e como isso afeta diretamente a vida de uma pessoa.

Confira o trailer: