Crítica | Eli, 5 filmes ruins em 1

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Escrevi uma crítica falando sobre o Final Girl, um filme desconhecido da Netflix, que entre tantos erros e problemas, ao menos ele tinha a vantagem de ser minimalista. O que era um enorme acerto. Para exemplificar, hoje eu trago Eli, também na Netflix, que é terrivelmente ruim, justamente por não acreditar no simplismo.

Não sabe o que fazer, faça pouco, Eli deveria ter seguido essa dica

A verdade é que grandes histórias não precisam de inúmeros arcos e cenas impressionantes, ou dúzias de personagens. Dá para passar muito bem com poucas pessoas em cena, um desenvolvimento simples e meia dúzia de acontecimentos. Eli ficou longe de fazer isso.

O roteiro foi assinado por David Chirchirillo, Ian Goldberg e Richard Naing, três pessoas fizeram o pior trabalho coletivo que eu vi em muito tempo.

Eli é uma história enfiada dentro de outra, tentando encaixar com outra, ficando ainda por cima de outra

O Plot básico: um garoto com problemas de saúde (Charlie Shotwell, o Nei de Capitão Fantástico) precisa de um tratamento especial para poder viver normalmente. Eli é alérgico ao ar, à água, à poeira, enfim, a tudo.

Então, como último recurso, sua família o leva para a única doutora capaz de reverter a doença, ela, claro, fica em um lugar isolado e cheio de mistérios. Pronto, lá o filme acontece.

Personagens caricatos e vazios, mas o problema de Eli não é esse

Eu não acho que todo filme precisa ser um grande acontecimento. Meu dever como resenhista é garantir que o público possa gastar um tempinho do seu dia assistindo algo que vá ser, no mínimo, divertido ou interessante.

O grande problema de Eli não são os personagens, ou os diálogos (e acredite, esses pontos apresentam problemas). O que para mim beira o insuportável é o roteiro. Ele é absurdamente infeliz em todas, todas as decisões.

Depois dos primeiros 10 minutos de filme as cenas apenas perdem o sentido. Os criadores puxaram a história para muitos lados. Um filme de terror com fantasmas, um filme de terror com “a-cientista-louca-que-faz-experimentos”, um filme de terror com o pai ciumento que não vê problema na morte do filho.

E o pior, nos últimos 20 minutos de história o roteiro apenas começa a jogar os plots mais aleatórios sobre a mesa.

Tive a impressão de que os roteiristas foram tirando resoluções de um saquinho de pano e encaixando nas cenas “ok, já gravamos a cena do pai ciumento, agora precisamos encaixar o culto satânico, a casa mal-assombrada, a doutora louca, a mãe delirante e o filho psicótico”.

“Ah, alguém lembrou de dar um papel para a garota do Stranger Things? Porra, precisamos dela no filme”

Sadie Sink está no filme, a Max de Stranger Things, eu gosto dessa atriz e gosto da personagem na série. Os diretores e produtores também, tanto que eles deram uma ponta para ela interpretar exatamente a mesma personagem. Exatamente. Exatamente.

Por qual razão eu devo ver Eli, Cinerama?

Dá para criar uma crítica sem indicar o filme? Seria até certo sarcasmo fazer isso. Pois bem, isso pode ser cruel e alguns vão me odiar (principalmente se seguirem o conselho), mas eu acho que você deveria ver Eli.

Primeiro: para entender qual é a importância da simplicidade na construção de uma boa história. Muitas pessoas acham que filmes precisam ser mirabolantes, quando, na verdade, o poder vem do resumo.

Segundo: se você gosta de filmes, ver um filme ruim aguça seus sentidos para as coisas que não deram certo. É muito fácil assistir alguma coisa e dizer que ela não presta, sem enumerar ou compreender as razões. Eli é um cardápio completo de opções para você dizer: “não gostei disso, não gostei disso, não gostei daquilo, isso também não ficou bom. Opa, disso eu gostei, não, espera, não… não ficou bom o desenvolvimento disso.”

Assista, pois está na Netflix e, quer saber? Por que não? Vai que você gosta. Eu mesmo já me encontrei muitas vezes adorando filmes ruins, é como gostar de músicas péssimas ou de vídeos ridículos do Youtube. Ninguém precisa saber.

Aviso final

Esse redator também é escritor: estou completamente mergulhado no cenário de terror, sendo assim, peço que vocês leitores me deem dicas de filmes que gostariam de ver uma crítica aqui na página, deixa um comentário aí no Facebook.

Caso gostem de ler histórias de terror, também tenho dois livros lançados no site da Amazon, vou deixar os links aqui no artigo. Aqui e aqui.

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Abaixo o Trailer do filme

30%

Eli é um filme que atirou para todos os lados, não acertou nada, mas serve de exemplo.

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