Crítica | Creep 2, continuação que não deu certo

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Nós temos uma crítica do primeiro Creep, filme de 2015, produzido com baixo orçamento e dentro dos padrões de bom Cinema Indie americano. Não vou dar mais detalhes sobre a produção ou os idealizadores, pois essas info’s já estão na primeira crítica. Dá uma olhada lá depois. Apesar do quê, a experiência da obra não muda ao sabermos quanto o filme gastou, ou não, ou quem são os idealizadores, esses são detalhes para os mais aficionados pelo mercado.

Mas vamos falar de Creep 2, a continuação da história lançada em 2019, que tem como personagem principal o assassino Jeff, aqui ele assume outro nome e outra postura.

Vejamos se deu certo:

Creep 1 era bom, pois, apesar das interpretações simples, a estranheza do assassino compensava em termos narrativos. Você sente curiosidade para saber o que estava acontecendo, ao mesmo tempo que sofria o impacto daquela instigação bizarra, de cenas que funcionavam como unhas raspando no quadro negro. Ou então riscar o fundo da panela de alumínio com um garfo.

Filmes com esse terror aflitivo funcionam muito bem

Infelizmente, Creep 2 transpôs essa aflição também para a protagonista, “a mocinha” do filme. E aí tudo cai por terra.

Se você não é capaz de sentir um estranhamento afetivo pela protagonista, enquanto ela sofre ataques psicológicos do assassino, então você perde o elemento de conexão com o filme.

Vou tentar explicar melhor, em Creep 1, o assassino fazia coisas realmente desagradáveis, que causavam arrepios e você se sentia no lugar do “mocinho”, imaginado o que faria se alguém agisse tão estranhamente na sua frente.

Já em Creep 2 a protagonista revida os ataques psicológicos. Agindo ela em nome da própria agenda. Ela quer ter cenas realmente impactantes para aumentar os números do seu canal no Youtube.

Essa decisão de roteiro, por menor que seja, joga fora tudo o que funcionou no filme de estreia. Você não consegue se identificar com uma “mocinha”, se ela age tão estranhamente quanto o assassino.

Pior, diferente do que aconteceu no filme lançado em 2015, em Creep 2 a protagonista faz uma quantidade maior de explicações para a câmera. Como se o roteiro precisasse justificar a todo momento as decisões que estão em cena.

Isso também dificulta bastante a presença do público. Os 77 minutos do primeiro passaram voando, já os 78 minutos da sequência se arrastam infinitamente.

Creep 1 foi feito com dois personagens e uma história razoável

Na minha crítica do primeiro filme eu deixo claro que a força da história está na simplicidade. Duas pessoas que são conhecidas por produzirem histórias de qualidade pegaram um orçamento baixo e fizeram uma boa obra Indie. Para quem curte o gênero, é uma escolha segura.

Já em Creep 2, parte da simplicidade foi perdida. O filme tentou entrar em camadas psicológicas de todos os personagens, o que não funcionou. Os sentimentos de estranheza perderam o rumo e, francamente, não dá para “torcer” por ninguém.

Sendo assim, tudo o que acontece em cena tanto faz, pois você só torce para que, dentro dos 78 minutos prometidos, algo interessante aconteça.

Avisos finais

Como gosto de falar e já peço nos meus últimos artigos. Estou completamente mergulhado no gênero de Terror. Então, se você quer ver a crítica de algum filme aqui na página, basta deixar o comentário no Facebook, que eu estou acompanhando todas as respostas.

Pode pedir daquele filme que você viu algum dia sem querer em um streaming qualquer da vida, esses são os mais interessantes.

Esse redator também é escritor. Se estiver com vontade de pegar uma leitura leve, rápida, com cenas marcantes e muitos assassinatos, conheça os meus dois livros. Um Link está aqui, o outro aqui.

Abaixo o clipe:

40%

Uma sequência que abriu mão da única vantagem que tinha.

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