Crítica | Child’s Play (2019), a volta da franquia do Chucky

Child’s Play by Ghoulish Gary Pullin
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A franquia do Brinquedo Assassino passou por algumas fases bem interessantes e até acompanhou a vida (e os gostos) de muitas pessoas.

Os primeiros filmes são do começo dos anos 90, quando cenário Slasher estava em alta.

Assassinos seriais com serras, machados, facas, foices, correndo atrás de vítimas menores e indefesas. Chucky, o boneco assassino possuído por um espírito, vem para quebrar esse paradigma e criar um antagonista diferente. Para muitos funciona, para outros nem tanto.

Há hoje muitos adultos que dizem jamais terem gostado de assistir Brinquedo Assassino e juram de pés juntos que nunca tiveram medo, mas nenhum deles dormia perto do boneco do Fofão e pedia pra mãe guardar as bonecas da irmã dentro do guarda-roupa.

Para criticar esse Child’s Play eu vou falar rapidinho da franquia

Pois bem, a franquia tomou direções diversas, com os filmes A Noiva de Chucky e O Filho de Chucky eles encontram espaço nas transformações do terror. Misturaram-se com comédia, criando narrativas conscientes de si, brincando com o roteiro e desenvolvendo personagens com altas doses de sarcasmo e auto humor, aqui mais uma vez o público se dividiu bastante. Muitos fãs dos antigos filmes abandonaram as sequências, enquanto outros aceitaram as doses de humor e continuaram gostando.

Depois de 2010, com A Maldição de Chucky e O Culto de Chucky, a franquia passou por fases gore e/ou saudosistas. Com puro sangue explícito e histórias ainda mais concentradas no nonsense, numa espécie de “pornô da morte” e auto referência.

O tipo de filme em que o roteiro não faz qualquer sentido, pois a ideia principal é mostrar como os personagens irão morrer e como o filme idolatra (ou se lembra) da própria história. Para mim são os piores filmes da série, ainda piores que os filmes feitos no final dos anos 90.

É o retorno do Brinquedo Assassino

O remake de Child’s Play lançado em 2019 é um retorno do velho espírito do Brinquedo Assassino, em todos os seus moldes e tirando proveito das fórmulas que têm dado certo no cenário de terror dos últimos anos.

Começa com uma premissa básica que ainda poderá ser encontrada em muitos lares. Se no começo dos anos 90 brinquedos enormes eram a sensação das crianças e portanto colocar um assassino dentro de um deles seria uma solução interessante para trazer o público para dentro do filme, em 2019 o cenário ganha a presença dos dispositivos que auxiliam no lar e as crianças estão focadas em tecnologia.

São aparelhos que controlam tudo: aquecedor, ar condicionado, câmeras para bebês, fazem ligações, chamam um Taxi, enfim. Esses dispositivos já existem, mas nenhuma companhia ainda os colocou dentro de um brinquedo.

Eis que a ideia de Child’s Play é justamente essa, fazer um produto que possa ser auxiliar do lar, amigo das crianças (com inteligência artificial) e com aquele defeito bizarro que fizesse pais e filhos sentirem pavor do que poderia acontecer.

Por exemplo: seria como se durante os videos da Galinha Pintadinha no Youtube a Momo realmente aparecesse e realmente atormentasse as crianças.

O filme quer essa sensação

Child’s Play é bom, funciona?

Como eu disse, é um filme consciente de si mesmo. A franquia já passou por diversas fases e os responsáveis (embora nem todos estejam na equipe desde o primeiro lançamento) sabem o que estão fazendo.

Eu gosto bastante desse filme pelo simples motivo dele conseguir reaver o que deu certo e ainda abrir a mente para o que está funcionando. Mas passa longe de ser perfeito, ou incrível.

Há muitos problemas no filme, sobretudo no último terço, quando eles carregam demais nas cenas de computação gráfica. O roteiro também se perde um pouco nos momentos finais.

Child’s Play de 2019 é uma lembrança de como assistíamos aos filmes de terror antigamente. Vai trazer saudosismo e garantir uma horinha e meia de um filme interessante, com elementos gore e cenas para dar risada.

Não vai deixar ninguém com medo, mas serve para sair da mesmice de todos os dias.

Avisos finais

Como gosto de falar e já peço nos meus últimos artigos. Estou completamente mergulhado no gênero de Terror. Então, se você quer ver a crítica de algum filme aqui na página, basta deixar o comentário no Facebook, que eu estou acompanhando todas as respostas.

Pode pedir daquele filme que você viu algum dia sem querer em um streaming qualquer da vida, esses são os mais interessantes.

Esse redator também é escritor. Se estiver com vontade de pegar uma leitura leve, rápida, com cenas marcantes e muitos assassinatos, conheça dois dos meus livros. Um Link está aqui, o outro aqui.

(nota: a imagem que ilustra esse artigo é de autoria do ilustrador Ghoulish Gary Pullin)

Abaixo o trailer

40%
Para se distrair

É o tipo de filme que precisa encontrar o público certo. Quem gosta da franquia irá encontrar elementos interessantes, quem gosta de filmes de terror em geral também.

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