Crítica | Us (2019), para arrebentar a mente

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Jordan Peele é um crítico, em 2017 quando Get Out! (Corra!) foi lançado o diretor já demonstrava quais seriam as suas capacidades dentro do terror, sempre batendo forte em questões sociais. Us (Nós) é um filme muito mais completo, complexo e cheio de alimentos para ruminações futuras.

Us conta a diversas histórias. É Jordan usando tudo o que ele sabe sobre cinema e direção para dividir o filme em narrativas menores, cada uma com suas características e convenções de gênero próprias.

A trama principal, da superfície, fala sobre Adelaide Wilson que passa por um trauma infantil. Depois de adulta, ela precisa lidar com as consequências e marcas deixadas por esse dia. Vale lembrar que a personagem tem interpretação fantástica de Lupita Nyong’o.

Mas como nós estamos falando do Jordan Peele não dá para dizer que o filme fala sobre apenas uma coisa. É um filme realmente denso, complexo, repleto de deixas, metáforas visuais, interpretações psicológicas.

No fim, cada um poderá encontrar por si os significados da história.

Assistir Us e depois ver ou não os famosos “explicando” ? Há algum problema neles?

Eu não tenho nada contra os famosos “Explicando o final de…” que estão pelos Blog’s e principalmente no Youtube. Como crítico/resenhista de cinema não está em meu poder julgar o que é um conteúdo válido ou não. Só posso decidir o que eu desejo consumir e aconselhar (por meio dos meus artigos) o que eu sinto que o público iria gostar de ver.

Para Us eu aconselho, em um primeiro momento, não assistir vídeos sobre explicações. Acho que esse filme precisa ser absorvido. Deixe alguns dias para que você possa permitir que a história ecoe. Discuta sobre o filme com alguém, faça um esforço por si, antes de buscar uma “tradução” online.

O drama dos filmes complexos e o famoso “grande demais para mentes pequenas”

Quando estudei cinema muitos colegas de sala gostavam de se vangloriar de terem assistido tudo de um determinado diretor desconhecido. Como se o fato deles passarem horas e horas testemunhando as obras daquele realizador Árabe fosse atestado de um conhecimento que não pode ser encontrado nos filmes comerciais, por exemplo.

Há até algumas camadas de “verdade” nisso, uma discussão que podemos ter outro dia. Mas o meu ponto é: Jordan Peele não é um diretor difícil em si. Ele não faz filmes alegóricos impenetráveis, cheios de autoreferências e com as portas fechadas para quem não tem proximidade com as artes.

Jordan é um grande diretor justamente por conseguir transformar seus filmes de terror em obras que possam ser apreciadas por todos.

Se você deseja um filme denso, com diversas camadas para ir descascando e se encantando com as mensagens, as críticas e as referências, Us será fantástico.

Mas se você deseja apenas um bom filme de terror, com história intrigante, final sensacional e boas porções de nervosismo (sempre bem-vindas em filmes do gênero), também conseguirá a sua diversão.

Está aí, um Diretor, saído da comédia fácil, que conseguiu através do talento reformular os filmes de terror. Encontrou seu espaço, marcou a sua voz e hoje todos já sabem, quando Jordan Peele assinar um filme é garantia de qualidade.

Chega aí, quero conversão rapidão com você

Minhas críticas focam pouco nas questões mais “batidas” dos filmes, eu procuro falar sobre outras impressões, coisas que talvez outros críticos não tenham comentado.

Sei que deixo de citar os pontos altos do elenco, ou da cinematografia, por exemplo, quando sinto que esses assuntos já foram tratados à exaustão por outros canais. Seria um tanto bobo publicar mais do mesmo (ainda mais quando um filme já tem diversos meses desde o lançamento).

Caso queira críticas mais “formais”, falando sobre cada componente do filme (som, vídeo, roteiro, direção, atuação, etc.) deixe nos comentários. Eu estou sempre lendo o que vocês estão escrevendo.

Os critérios de avaliação

Outra questão que tem “incomodado” os leitores é o critério adotado para as notas. Bem, então vou explicar:

Zero estrelas é um filme injustificável, para mim não deveria existir e assisti-lo dá até desgosto.

Uma estrela é um filme que provou para qual razão existe, mas dificilmente valerá o esforço.

Duas estrelas é um filme plenamente eficiente, como um episódio corriqueiro de uma série qualquer.

Duas estrelas e meia é um filme padrão. Nessa categoria estão grande parte filmes do catálogo. Não saltam aos olhos, mas servem de distração quem sabe até dê para guardar uma coisa ou outra.

Três estrelas são filmes que já estão acima da média, o tipo do filme que, apesar de não ser imortal, consegue se destacar.

Quatro estrelas são os filmes que estão perto de se tornarem imortais. São ótimos filmes, do tipo que serão guardados por muitos anos, com histórias que vão além do convencional.

Cinco estrelas são filmes imortais, ultrapassam limites. Transformam o comum em algo que não pode ser esquecido.

Avisos finais

Como gosto de falar e já peço nos meus últimos artigos. Estou completamente mergulhado no gênero de Terror. Então, se você quer ver a crítica de algum filme aqui na página, basta deixar o comentário no Facebook, que eu estou acompanhando todas as respostas.

Pode pedir daquele filme que você viu algum dia sem querer em um streaming qualquer da vida, esses são os mais interessantes.

Esse redator também é escritor. Se estiver com vontade de pegar uma leitura leve, rápida, com cenas marcantes e muitos assassinatos, conheça dois dos meus livros. Um Link está aqui, o outro aqui. Você também pode me seguir no Instagram, estou sempre postando contos de terror/suspense.

Abaixo o trailer

80%
Um dos melhores do ano

Um filme sem comparativos, ainda mais quando vemos como o gênero de Terror está pobre de bons lançamentos.

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